Mostrando postagens com marcador garoa. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador garoa. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 23 de março de 2010

amuleto

não sei porque nem pra que
insisto em levar-te comigo
na esperança de tentar a sorte
nas asas que você carrega

ainda com tanta confusão
e vendo você se fechar pra mim
mesmo sabendo que isso me mata
eu carrego você comigo

por mais que eu saiba
que talvez tudo não tenha passado
[- de um sonho ou confusão
e que continuar nisso me morre o coração
eu carrego você comigo

sabendo que acordo feliz porque sonho contigo
mas o sonho vira pesadelo por não te ter comigo
[- na realidade
eu carrego você comigo

mesmo vendo que o que você faz machuca
e que talvez seja até proposital
ainda percebendo que possa ser apenas um dia
[- em que tudo foi mal
eu carrego você comigo

por mais que eu tente te matar e não consiga
e sabendo que você é o pilar que me abriga
por mais que você me mate e me roube, do ar, a vida
ainda assim, malditamente ainda assim
eu carrego você comigo.

sábado, 20 de março de 2010

chá de canela

depois do filme
passada rápida pelo banheiro
e um convite:

- vamos fazer chá de canela?

tempinho na cozinha, conversando sobre coisas fúteis
rindo sobre fins de histórias legais
resolvendo probleminhas pra se dar bem na prova
depois foi a chuva que caiu pra esfriar o tempo
até parece que você adivinhou que ia fazer frio

a varanda foi legal
tomando chá
contando os segredos mais profundos
num abraço
e numa chuva que caía

terça-feira, 16 de março de 2010

você (ou cruzeiro do sul II)

foi quando me deitei que conversamos tudo aquilo
o banco estava ocupado pela imensidão dos nossos corpos
e você estava triste por coisa qualquer
fazia tempo que não brincávamos assim

de prova da prova do crime
continuava nos olhando lá de cima
enquanto eu enxugava seu rosto
e tua lágrima que me contamina

então eu disse que não se preocupe
que tudo fica bem
foi desentendimento louco
engodo de sufoco
mas o nó se desfez

então viu-se do alto
a troca de linguagens
o coração de cobalto
esparramar pela margem
do teu sorriso rosa
que abre e encanta
que mata e demanda
tudo o que um dia sonhei ser

foi abraço que encerrou o dia
e, para minha infantil alegria,
veio sono leve e bom.

domingo, 14 de março de 2010

a última fenda do céu

poderia pensar em dizer coisa qualquer
pra te ver sorrindo por um infanticídio meu
ver você feliz e te ouvir toda tarde pra sempre
como se o dia mais esperado da semana não acabasse

e saber que tua birra é tento pro meu pulsar
e ter noção do quão bem faz saber que quando o fim raiar
ainda vai ter alguém no banco azul pra me esperar

poderia dizer pra você mil coisas bonitas
e morrer no teu abraço apertado
e na despedida te estirar o dedo
como criança que tem medo de dizer o que sente
e pra isso aperreia só pra ver o outro contente

me abrir assim e dizer o que sonhei
falar dos meus sonhos e vitórias
e dizer o quão lindo está seu cabelo hoje!
pra depois te beliscar e dizer que vai passar

cruzeiro do sul

diante da capa da noite
se erguia sobre minha cabeça
tão linda constelação
que me pedia favores e afins
como se fosse limpar meu coração

com elas me observando lá em cima
foi que vi o olhar da rosa bater em mim
abriu um sorriso e veio me abraçar
ainda era noite até aquele abraço

me tirou pra dançar no canto
era mais confortável por lá
depois de me fazer uma breve conversa
em forma de encanto
sentamos e nos pusermos a conversar

depois de lembrar muita coisa
como se tudo que passou fosse só lembrança
abriu-se o mar em seus olhos e em meus sonhos

houve mais um abraço
e o cruzeiro do sul olhava lá de cima
e eu vi que no sul faz frio
um frio mais frio que o inverno
que gela e condensa

de todas as cenas da novela
a mais bonita foi um abraço
carregado de mar e sangue
e um frase, simples e bela
"eu acho que te amo"

quarta-feira, 10 de março de 2010

caçadores de estrelas (ou lembranças do sonho de ontem)

caçar estrelas com você é divertido
é como olhar pro céu e saber
que você vai ser minha
até termos encontrado e catalogado
todas as estrelas que existem
como se o céu fosse finito
e eu te prometo o céu se você quiser

em cada olhar que você me der
pra cada estrela que a gente achar
vou olhar e dizer que é besteira
ainda falta o universo pra gente rodar

guardei no jardim uma constelação
pra ela nascer enquanto a gente cresce
enquanto a gente nasce
e nesse nascer de novo
eu carrego o sol pra ti
e te dou de presente de aniversário
pro coração bater forte e palpitar

olhar pro mundo é bem melhor com você por perto
e saber que posso olhar o mundo com você por perto é melhor ainda
eu te dei minha constelação.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

sem dedicatória (ou reflexões)

Esse texto é para uma amiga, uma grande amiga de muito tempo. Espero que, ao ler, ela possa tirar algumas conclusões sobre si mesma.
Certa vez estava em uma festa. Havia uma convidada minha, gym e alguns olhares. Ela era minha convidada pois eu a tinha levado. Salvo engano, era aniversário de um amigo. Após um leve desespero fantasiado de briga e silêncio, uma de minhas amigas me diz "vocês tem as chances nas mãos e desperdiçam". Claro que ela estava certa! Não era, nem de longe, a chance que eu queria. A chance que eu queria era uma chance grande, uma chance de querer tudo o que posso, a chance de desejar bastante antes de consumar todo o fogo do meu peito. Entretanto, não vou me atrever a falar das minhas coisas. Falarei docoração alheiro, falarei dessa amiga (não a da festa, a da dedicatória).
É sábio de todos que algumas pessoas entram e saem nas nossas vidas. Algumas nos bagunçam, bagunçam tanto, mas tanto, mas tanto, que desejamos sumir por um tempo. Depois de sorvetes em fins de tarde, de abraços longos em algum pique-nique, de uma risada por uma besteira qualquer, seja uma piada ou um cigarro escondido, depois de muito corpo, muito suor, do nada, simplesmente sua vida volta ao normal. O dia do término é difícil, bastante difícil. É difícil porque você dorme com a lembrança da outra pessoa, com os últimos momentos na cabeça, com as palavras lhe insultando silenciosamente em seu pensamento.

"A pior noite é a primeira. É a noite em que você se deita e olha pro teto, aquele mesmo teto, e tem de contar pra ele essa nova versão de uma história que ele já sabe de cor. Então você se sente vazio nas paredes do quarto que parecem rir de você, mas na verdade são as únicas que te escutam, que aguentam seus gritos, que vê você chorando... e não falam nada a ninguém. O pior dia é o terceiro. O primeiro e o segundo você ainda pensa em ligar, em ir atrás. Sonha à noite, até amanhecer o terceiro dia. Nesse dia nada ressucita. É o dia em que tudo morre, em que todas as esperanças se esvaem, em que o poeta se cala, o sol não sai, a chuva não cai, o sono não vem, a comida não desce, o brilho não tem, a música não toca, o tango não dança, o sexo não há, o ar é pesado, acordar não queremos, é o dia D. Destruição. A semanas que se seguem são as que você não sai do quarto, que se torna sua maior parte. Seu quarto é seu santuário, onde você é invencível.

[...]"
*

Então, depois de um tempo, há uma ligação ou uma mensagem boba, sem lógica. Muito provavelmente há novamente o encontro, seja na universidade, local inevitável, seja em sua casa, com o outro cheio de novidades. Cabelo, barba, tatuagens talvez, um sotaque estranho, um brinco novo, uma blusa nova... Nesse encontro há a vontade do beijo ser consumado, do desejo. As pupilas se dilatam, o coração bate acelerado, há uma leve camada de suor na testa, por conta do nervosismo. Algumas palavras trocadas, o pedido de uma volta, de um retorno. Ela não quer, ela diz que foi forte e não cedeu, por mais que ceder a isso tenha sido sua vontade nos últimos 8 meses que se passaram, ainda sabendo que depois dela ele talvez tenha namorado novamente.
Nem ela se entende. Ela quer muito aquilo, quer voltar, quer dizer que o ama, gritar para que o mundo ouça todas as suas declarações, pedidos de desculpas, frases de arrependimento, tudo, ela quer gritar tudo. Mas, ao invés disso, o que ocorre é o completo silêncio. Depois dele ir, muito provavelmente ela chorou e conversou com a mãe, antes, durante ou depois do choro. Sua irmã tenta lhe consolar, mas nada adianta nessas horas, não é?
O dia se passou, e outro dia e outro dia. Talvez ela tenha conversado com algum amigo sobre isso, que talvez tenha lhe dito algumas boas palavras. Mas um problema muito grande com os problemas dos seres humanos que tem problemas, é que eles não querem se livrar de alguns problemas. Nada poderia ajudar nessas horas. O que fica é a vontade da volta, que impede-a de olhar para o futuro, que impede-a de gostar novamente de alguém, pois ela tem medo de gostar de novo. Não, não é medo de gostar de novo. É medo de esquecer o outro, de que alguém venha e tome seu lugar, sabendo que, com isso, está perdendo vários motivos e momentos com outra pessoa que um dia virá,é inevitável. Um dia aparecerá alguém, então pra que adiar sempre? Que pena, você tem a chance nas mãos e desperdiça.

* retirado de http://theredwinter.blogspot.com/

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

hoje eu te vi com olheiras
com metades repartidas em fotos
que traziam os teus vários eus
onde nenhum pode superar
certas dores e passados

hoje eu acompanhei tua história
vi tudo que faz parte da tua memória
e com coração na mão por não poder ajudar
fico esperando você voltar sozinha

pois descobriste que o que passou passou
passou como um trem e te atropelou
de deixou aleijada, te mutilou

ah, que vontade de te abraçar
e dizer que não chores mais
porque o tempo passa
leva e traz

e ele vai te trazer essa paz
deixa eu ajudar e abraçar
porque não posso curar essa dor
mas posso ser porto seguro pro teu navio
posso ser teu ancorador

assim são os amigos
pra isso são os amigos
os amigos são abrigos
são abrigos e amigos

amigos.

-

para uma grande amiga.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

13 Horas

13 tempos
13 horas
me adoras
nos momentos
em que sabes
que não choras
pois estais comigo
e fizeste disso
um abrigo
pra seguir-te
onde fores
conseguis-te isso
e ainda mais
um monte
de amores

brisa

brisa
brinca brinda
chega leve amiga
cresce o tempo e o momento
se torna único enquanto eu sonho
pois vai crescendo em montante essa brisa
que brinca, brinda, branda, manda, chega, arrebata
tudo que já foi ruim e que já passou
pois tudo que é ruim é pequeno
comparado ao simples fado
de estar

contigo.

cor

você me come
me consome a alma
me grita um grito dágua
que mata minha sede
que mata minha fome
que come meu olho e meu nome
que eu sei que você não esquece
no pupilo que batizaste
pra de mim não esquecer
colocaste nele tento
ora não deixar
a gente morrer
deixo morrer também não
que é tempo demais que estou são
são e salvo por você
pois mil anos é bom demais
13 horas, tanto faz
garoa, garoa, garoa!
lá vem ela!

degusta-me

mas você vem e eu digo:
não pare!
chega mais perto,
certamente, decerto
te abraço e te afago
tentanto te inspirar
pro mais fundo dos pulmões
pois tanta ruga já se criou
tanta teia já se findou
que acho que deveríamos lavar a casa
porque assim fica mais fácil da gente
morar
teu sonho em mim eu deixo
viver assim aconteço
aconteça o que acontecer
tire a teia que tirar
degusta-me com teu olhar
com esse mesmo teu olhar
com esse infinito teu olhar
com esse brando teu olhar
me come com esse teu olhar
me ama com teu olhar
que assim tá bom demais
assim tá infinito

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

trovão

o som do trovão
entoado como um hino
que banhava os corpos
carregados de luz e música
que dançavam pro mar uma dança bonita
que traziam vontades guardadas e bons maus
o som do trovão me acordou
e a chuva que caia parecia tua alma que me banhava
enquanto eu esperava resposta tua
a um amor de mil anos
o som do trovão me reviveu.

domingo, 17 de janeiro de 2010

pulsar

por ti bate um peito bem forte
um pulso que avassala a morte
que grita teu nome, de sul a norte
e te chama em vermelho no mar

a veia em que você corre
é um pulso que sobe e me morre
que sua meu corpo e em corte
me vem à cabeça matar

te trago pra mim só porque
tua boca vermelha na minha
é o calor que me sobe à espinha
e me faz não querer me guardar

com teu corpo em meu braço eu me perco
sem saber quem é quem no luar
e me vi nos fazendo um cerco
pra que a noite não possa acabar

o meu sangue se enche de ti
toda vez que te vejo sorrir
e a dor dos tristes passados
o pulsar vai deixando de lado

hoje eu sei que meu peito está vivo
foste tu que me deste um motivo
pra tua boca meus lábios tocar

hoje mais do que nunca
corre em minha veia
a maldição da noite e meia,
pulso forte a palpitar.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

rio em veia

no movimento do teu corpo,
gineceu branca flor,
lava quente em vulcão,
pus meu corpo em tua mão
pra dele fazer teu vestido salvador

teu peito, imagem e luz
que chega, arrebata e seduz
pôs meu sangue no altar da cruz
pra dele fazer teu jantar

teu cheiro agora corre em minha veia
maldição da noite e meia
rio vermelho de você
sangue no meu sangue te tornaste
sangue do meu sangue és por ser

no vestido que carregas contigo,
vermelho amor e castigo,
no cinza do céu que cai
te faço minha e, de mim,
teu capataz.

sábado, 26 de dezembro de 2009

glicínia

tua cor lilás que se entorce em teu sorriso
que se contorce em meu abrigo
que me escorre os dedos de vontade
vontadenada!

ah, meu bem que não vem!
dos veja bem e dos vai-e-vens
tu vens, tu vens que eu sei:
eu já escuto os teus sinais!

sábado, 19 de dezembro de 2009

Minha Garoa

minha garoa vem de longe
linda em branco e cinza
carrega consigo dores de amores breves
e cheiro de alecrim bom
traz vento em voz de moça
me fazendo atrever do que não devo
finge em mim ser meu sossego
pra depois ser minha fossa...
ou força!

minha garoa, te acho bela
daquela beleza infindável da complicada natureza
que traz, por si, sua única beleza:
ser bela em mim, lá bem fundo
de forma que nada nesse mundo
venha a me encomodar.

at your side, there's no high tide.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

escarlate

anil anulado
recíproca deixada
de lado um afago
uma ambição
que tem cor
de desejo e paixão
proibida por tempo
dor e coração.