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segunda-feira, 8 de agosto de 2011

neve

antes o beijo de esquimó
de carinho de amigo
deslizasse seu trenó
e caísse em tua boca
fria como a neve
que me grita um 'por Deus, me leve!'
toda vez que chego perto
de súbito e na mente
tiro tua roupa
e te faço bem quente.

domingo, 24 de julho de 2011

telepatia

o que você não sabe
é que minha mente
já lhe despiu
dez
vezes
nesses cinco segundos
que você chegou.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

do jogo I

eis aqui um jogo perigoso:
uma menina com asas
olhos lindos cor-de-mel
um menino sem pernas
cego e feito de papel

segunda-feira, 27 de junho de 2011

periférico

o mundo parou
a terra girou
carretel, peão, rojão
é são joão!
e foi aquele olhar
me espiando de longe
que eu fingia não ver
que ficou na mente
até o amanhecer

domingo, 19 de junho de 2011

no inverno

no inverno
há sempre aquele frio-tédio
o povo reunido num só
lugar
você afagando a dor
passando por mim
fingindo não me notar

(e eu andando a passos largos
mãos bem aquecidas
enquanto passa em mim
um rio que deságua
afogando meus herois)

segunda-feira, 13 de junho de 2011

episódio

e se de repente
a gente se bater
numa sexta feira
eu sei que vai ser
naquele mesmo bar
e você vai estar
tomando aquele mesmo
copo
de mim.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

poema de bentinho

gosto mesmo
é de me perder
nos seus olhos
de ressaca

segunda-feira, 30 de maio de 2011

2011

Aberta a temporada de poemas 2011!
Aos leitores de Portugal o meu muitíssimo obrigado pelo carinho e pelos comentários tímidos aqui no blog. Daqui para o fim do ano o #poemasdeinverno ganhará sua versão em inglês e em francês.
A temporada inicia-se com o poema "pequena", anterior a essa postagem. Troquei o poema por um açaí, mas é conversa que cabe apenas nos bastidores do blog.
Aqueçam-se!

Dedico esta temporada a Laura Correia, amiga de longa-data e longa distância.

pequena

quase como se o vento
daquele B612
tivesse posto
a rosa do pequeno
aqui na terra

e vertido
o nome dela
no de outra
planta qualquer
pra fingir que ela
é daqui

quase como se
esse poema fosse
metrificado
não-prometido
e não-calculado

quase como se
não fosse tão fácil
aquele riso
e bonito
e bonita

é bonita sim.

-

Para V.R.